Não estou calada: estou pulsando.
Como hei de contar tudo o que se passa nessa dilatação do tempo chamada madrugada?
e não é em qualquer lugar que se arranja.
Não estou calada: estou pulsando.
Como hei de contar tudo o que se passa nessa dilatação do tempo chamada madrugada?
Minha felicidade se faz de pequenas alegrias entremeadas no cotidiano: cheiro de livro novo, o riso maroto de uma filha, os olhos de veludo da outra; teu abraço sonolento nas preguiçosas manhãs de domingo.
Puro deleite.
que acho um disparate essa obrigação de ser feliz em datas específicas, como na noite do tal Reveillón?
Caio Fernando Abreu
Escrever – e você sabe disso – pode eliminar essa sensação de gratuidade no existir, de coisas o tempo todo fugindo e se transformando em passado.
Eu acho então que se escrever te dá um sentido para estar viva (ou a ilusão de um sentido, que importa?), então vai e escreve e diz tudo e rasga o coração, as vísceras, expõe tudo, grita, esperneia – no papel.
Para esta inquietude tamanha não tomar conta de mim, vou preenchendo os espaços com atividades, distrações, o que vier. Nas noites, ela se manifesta em uma insônia plena das insuficiências diárias que eu invento. E me amorteço, então, com a própria insônia.
Confesso que não sei o que fazer com esse sentimento todo que tenho aqui dentro.