1 dezembro , 2011

É isso.

por Renata

Para esta inquietude tamanha não tomar conta de mim, vou preenchendo os espaços com atividades, distrações, o que vier. Nas noites, ela se manifesta em uma insônia plena das insuficiências diárias que eu invento. E me amorteço, então, com a própria insônia.

Confesso que não sei o que fazer com esse sentimento todo que tenho aqui dentro.

27 novembro , 2011

Do amor incondicional

por Renata

24 novembro , 2011

Primavera

por Renata

Tem certas coisas que só podem ser contadas quando acabam. Antes disso, sofrê-las por inteiro, até que feneçam e caiam, outonais.

Em silêncio, velar não apenas a dor da vontade tamanha transfixada pelo “não”; velar também aquele constrangimento estranho e inequívoco de quem desejou demais, pediu demais, ansiou demais.

E assim como logo renascem verdes e fáceis outras esperanças, reflorescem em botões vermelhos e carnudos tantos novos quereres demais.

22 novembro , 2011

Perdimento

por Renata

O caminho para o reencontro vem com diversas perdas. A primeira – e mais aterradora – delas é a perda das certezas. Aquelas certezas calcinadas sobre outras certezas pétreas que imaginava serem o que pavimentava minhas estradas.E é só ao me livrar delas que percebi: meus pés também estavam ali, imobilizados.

Quando eu era mais nova, frequentemente me espantava com o reflexo do espelho. Ali, tão pouco sabedora, ah! ali, eu tinha tantas incertezas que era fácil me perder de mim a ponto de me desconhecer. E o que o espelho mostrava era uma figura estranha, de cabelo laranja e olhos inquietos. E o que o espelho mostrava era nada que eu soubesse, era como se eu me despregasse da minha pele, inundada pelo desconhecido. De uma tal leveza que minha alma se sentia flutuar por um tempo também despregado do relógio.

Hoje cedo, ao me levantar, me deparei com a estranha no espelho. Depois tantos anos, a mesma estranha, a mesma inquietude. E o estranhamento se fez tão forte, se fez em vento, se fez em vórtice que elevou meu corpo do chão.

Quando meus olhos voltaram a mim, eu era outra. Eu era aquela do passado, eu era essa do presente, eu sou essa do presente e também aquela outra; eu sou essa que quase quase quase se reencontra.

Saí dali e fui tocar a vida. O tempo fluido, escorrendo pelas beiradas do dia, uns sonhos se desenhando nas paredes, chuva inesperada no meio da tarde. Passei o dia entoando silenciosamente umas canções imaginárias, plena de não-saberes.

22 novembro , 2011

Colorblind

por Renata

I am covered in skin
No one gets to come in
Pull me out from inside
I am folded, and unfolded, and unfolding

I am ready
I am fine
I am … fine.

21 novembro , 2011

Dos apegos irrazoáveis

por Renata

Tão difícil se livrar de tudo (ou quase) que não é amor.

Mesmo sabendo que só assim se faz espaço para o que vem pleno, pleno do tal amor.

21 novembro , 2011

Cosido

por Renata

Final de ano é uma dobra no tempo.

Onde se acumulam, urgentes, tudo que eu não fiz, tudo o que preciso, tudo que eu quero fazer.

Onde se amontoam desejos vãos, sonhos partidos e um punhado de desilusão.

E, costurando tudo com fio de seda verde, a teimosa esperança.

20 novembro , 2011

Liberta-me

por Renata

Carlos Queiroz

Livrai-me, Senhor
De tudo o que for
Vazio de amor.

Que nunca me espere
Quem bem não me quer

Livrai-me também
De quem me detém
E graça não tem.

E mais de quem não
Possui nem um grão
De imaginação.

 

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18 novembro , 2011

Indignação feminina

por Renata

Não sou feminista militante – mas ultimamente tenho questionado, cada vez mais, se não deveria. É que o machismo anda tão arraigado, tão entranhado na nossa sociedade, que passa desapercebido. As próprias mulheres são vítimas e algozes. E ai daquela que ousar levantar o problema: “gorda, baranga e mal-comida” será só o começo dos elogios.

Outro dia, pouco antes do tão aguardado e cafonérrimo desfile da Victoria’s Secrets, a modelo Adriana Lima contou seus preparativos: se exercita duas ou três vezes ao dia; passa cerca de 10 dias sobrevivendo de líquidos e fica sem tomar sequer água pelas 12 horas anteriores ao desfile. Valha-me Deus!, se aquela mulher, cuja vida diária consiste em se manter super magra, cuja genética já é favorável a esse padrão – bom, se essa mulher precisa de tudo isso para desfilar de lingerie, será que não tem algo errado com o padrão? O que farão as mulheres cotidianas para alcançar o ideal proposto?

Aliás – por que é que não tem um desfile masculino equivalente? Aliás – ninguém acha estranho que em pleno século XXI, cada vez mais as mulheres venham sendo tratadas como objetos? Objetos decorativos e com funções agregadas: não basta mais enfeitar o ambiente, tem que ser excelente mãe, excelente profissional, super boa de cama. E tem mais: não pode ser neurótica. Fácil, né!

E essas revistas/blogs/sites femininos que têm uma seção da “Opinião Masculina”. Sobre os esmaltes, sobre maquiagens e sobre roupas que as mulheres usam. São os próprios veículos de “informação” que vêm dizendo às nossas meninas que a gente se veste e se pinta para agradar aos homens; e que se você quer agradá-los, deve fazer assim, assim, assim. Infelizmente, essas seções fazem sucesso. E parece que quanto mais retrógrados, ditadores de regras e cretinos são os entrevistados, mais as leitoras gostam. Ninguém nem pára e pensa que isso é um ultraje.

Tem um blog que eu sempre achei muito legal, o Vigilantes da Auto-Estima. Acho que a autora faz um trabalho super bacana de mostrar para as mulheres como, apesar de tantas pressões, é possível a gente se valorizar apesar das externalidades negativas. Apesar do mundo cão. Qual não foi minha surpresa ao ver, esses dias, uma videorreportagem (veja aqui) onde a autora entrevista homens e pergunta o que eles acham da mulher que faz sexo no primeiro encontro.

Pausa para respirar e manter a indignação minimamente controlada.

Isso, em pleno século XXI. Isso, uma autora cujo trabalho se dedica a ajudar as mulheres a terem auto-estima apesar de tudo.

Não consigo me conformar! Não apenas se permite, mas se incentiva que o homem forme um juízo da mulher simplesmente porque ela fez sexo no primeiro encontro. Aquilo passa a definir o que ela é, pense e sente. Aquilo a define por inteiro. A mesma autora que em seguida faz um post intitulado ” Por que damos tanto poder aos outros?”. Eu também pergunto: por que dar esse poder aos homens?

E tudo fica pior. Tem também a entrevista com uma psicóloga/terapeuta, whatever. Que é para dizer se a gente “deve” ou não transar na primeira noite. A resposta dela? “Se tudo o que você quer na vida é isso” – ou seja, se você transar na primeira noite, está fadada a ser para sempre uma mulher fácil e que não vai arrumar um marido para chamar de seu. Compreenderam?

Depois de empoderar tanto os homens, obviamente que eles fazem pleno e mau uso de tal poder: a opinião geral, compartilhada pela tal da psicóloga, é que a mulher que transa na primeira noite não vale nada. Mulher que transa na primeira noite é carente, não se valoriza, está desesperada ou qualquer outra porcaria.

Enquanto até as mulheres ditas modernas e emancipadas pensam assim, agem assim e propagam essas idéias absurdas, fica cada dia mais difícil combatermos essa praga chamada machismo, que tanto nos reprime e maltrata.

Update: após a observação da Amanda, eu editei o post porque foi um erro meu assumir que a terapeuta era psicóloga. Eu não sei qual a formação primária dela, apenas que atua como terapeuta.

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17 novembro , 2011

Lado B

por Renata

Decidi que nesses dias iria no meu avesso. O que tem causado espanto entre as gentes.

Será que não sabem que o avesso não é o contrário? Que é só o meu – o nosso – lado de dentro?

17 novembro , 2011

Die Kunst der Fuge

por Renata
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16 novembro , 2011

A arte da fuga

por Renata

Vivo calculando o tempo. O que falta para você vir, quão rápido chegou o tempo de você ir; quanto demora para você voltar. E os anos que se acumulam, empoeirados, sobre meus ossos. E os meses que escoaram sem que eu tenha chegado lá?

- Nem pergunte onde é lá. Também tenho dúvidas.

Mas ontem fiz um pequeno experimento, antes de você sair. Se é impossível desvincular a matemática imposta ao tempo, que sejamos diferentes, então.

Na próxima vez que você vier – não, não contarei os dias -  deixaremos o tempo se desdobrar em fractais, recorrentes e com infinitos detalhes, em desdobramentos sucessivos e renovados.

Na próxima vez que você vier, vamos rodar a vida em sentido anti-horário.

Fractal de fuga do tempo
Reprodução daqui.

15 novembro , 2011

O início

por Renata

Comecei este blog para me libertar.

Para combater tantas contenções que trago sob a pele; para escrever sem me preocupar com a forma, valor literário e beleza. Escrever livremente sobre minhas diversas facetas, meus sentimentos todos. E para dar vazão de mim através de meus próprios dedos: sem personagens, sem ficção ou quaisquer outros subterfúgios. Nada senão a vida como ela me acontece; nada senão o que enxergo com esses meus olhos amarelos – sem disfarces.

E toda minha inquietação, meus anseios, minha buscas. Minhas desventuras e conquistas, mais as dificuldades de se escolher caminhos inexplorados.

Mais o grande desafio de me reencontrar no novo – e de novo.

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